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segunda-feira, 16 de março de 2015

O INÍCIO

Foto:Aos 6 anos de idade no dia do meu batizado.

Nasci numa noite chuvosa de quinta feira, no dia 28 de março de 1991, filho de uma família pobre e de pais analfabetos, aos 7 anos de idade mudamos para Itiuba povoado do município de Jaguaquara, foi lá  na Escola Frei Franco Zito, onde tive o meu primeiro contato com a leitura e escrita.  Acordava 6:00 horas da manhã e enfrentava junto com outras crianças uma jornada de uma hora e meia andando, sozinhos, confrontando na maioria das vezes animais pelo caminho. As 7:30 chegávamos exaustos na escola,  uma construção desorganizada, sem atrativo nenhum, não possuía muros, mas era pintada com um azul pesado.  Na sala de aula, lá éramos recebidos pela professora Vera, como eu a amava, sempre disposta a ensinar, tratava os alunos com paciência e amor. Foi com ela que aprendi a ler e a escrever, o processo da leitura não foi uma tarefa fácil, isso por que, o ato da leitura é uma atividade de interação, o que segundo Kato (1985) o mero passar de olhos pelo texto não é leitura. O leitor deve “entrar” no texto, interagindo com o autor, ele deve ter uma troca de conhecimentos com o autor. No meu caso essa era a principal dificuldade, interagir com o texto, apesar disso era um mundo novo, me encantava ao ler os livros que ela levava pra sala. Passei um ano nessa escola, apesar das dificuldades encontradas, a relação de respeito e compreensão que tinha com a professora Vera me proporcionou momentos de alegrias e saberes.  Aos 9 anos voltei novamente junto com minha família para Maracás, lá fui matriculado na Escola Dom Justino, onde estudei durante 7 anos. Lá tive professoras maravilhosas, principalmente as de língua portuguesa e história. O espaço físico da escola era convidativo, a biblioteca ficava num espaço livre, onde todos os alunos tinham acesso a ela, as cores passavam uma sensação de bem-estar.  Quanto aos funcionários tinha uma boa relação com as funcionárias (tias) da cantina, indiretamente elas contribuíram em minha formação durante o período na escola.

O Ensino Médio

Durante a minha permanência na escola tive várias professoras que marcaram a minha formação, três em especial. A professora Núbia foi uma delas, sempre empenhada em trazer novidades para a sala de aula, utilizava muitas vezes da dinâmica como forma de aprendizagem,sobre a importância das dinâmicas na sala de aula Gilda Rizzo (2001) aborda  que “A atividade lúdica pode ser, portanto, um eficiente recurso aliado do educador, interessado no desenvolvimento da inteligência de seus alunos, quando mobiliza sua ação intelectual.” (p.40). Percebo que, o principal papel de Núbia era de nus estimularmos a construirmos novos conhecimentos através das dinâmicas, por que de certa forma éramos desafiados a produzir. Para ela o aluno tinha voz, ela o tipo de docente que Canário chama de professor artesão, aquele que constrói e reconstrói o seu saber profissional, tendo em conta a especificidade do contexto e público onde está inserido, em vez de ser um reprodutor de práticas. (Rui Canário – 2006). Sem dúvidas Núbia era o tipo de professora que fugia da rotina, e se reinventava seu saber docente todos os dias.  Outra professora marcante foi Mônica, fui seu aluno por dois longos anos, ela não tinha formação alguma para ministrar aula, culpava os alunos pela sua falta de regência de classe, não tínhamos oportunidades para questionar, as atividades que ela passava na grande maioria eram pautadas somente nos livros didáticos, particularmente achava as aulas dela chatas e cansativas. Judite minha professora de Língua Portuguesa e Redação tinha um controle de sala invejável, não sabia se os alunos tinham medo ou respeito por ela.  Independente da sua postura rígida, todos conseguiam aprender com ela. Judite não era vista apenas como uma educadora, ela participava diretamente na nossa formação como cidadãos, ela sempre nus incentivava a sairmos do conformismo, a sermos seres críticos, conscientes dos nossos deveres e principalmente dos nossos direitos tanto perante a sociedade, quanto no ambiente escolar. 

No ano de 2004 ao terminar a 7ª série tive que sair da Escola Dom Justino, pois lá não tinha a 8ª série, fui para o Colégio Normal Municipal de Maracás, a maior escola da cidade, seu espaço era dividido em 3 pavilhões, onde não havia refeitório, apenas uma cantina que mal suportava os alunos no horário do intervalo, tinha um espaço enorme, porém não era utilizado, e apesar de ser tão grande a biblioteca ficava num canto espremido, longe das salas de aula,  os alunos eram obrigados a irem lá, as paredes eram pintadas num tom verde escuro, e a secretária que trabalhava lá não tinha empenho  nenhum para motivar os alunos a lerem mais. Meus professores nesse período foram fundamentais para a minha formação, uns como Marlúcia, Judite, Ana Maura, Roberto eram professores ótimos, com uma prática docente, clara, objetiva e ao mesmo tempo didática. Outros como Alcergio, Patrícia, Pedro, e Sergio eram considerados os terrores pela turma, eles não davam espaço para o aluno expor suas opiniões, preferia criticar a gestão da escola a ensina de fato, seus métodos de ensino eram fechados nos livros didáticos, o que estava no livro era considerado por eles verdade absoluta.

Novos Caminhos: A UNIVERSIDADE

Conclui o ensino médio no ano de 2008 nesse mesmo colégio, porém, somente no ano de 2013 me inscrevi para o vestibular da Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia - UESB optei pelo curso de Pedagogia tanto na primeira opção, quanto na segunda, o que motivou a escolher esse curso, foi certamente os exemplos de docentes que tive durante toda a minha jornada na escola. Obtive êxito na prova e passei em 7º lugar, o ato de conseguir entrar na universidade foi uma grande conquista. Aqueles que conseguem entrar sentem-se privilegiados, quando na verdade a universidade não deveria ser um espaço para poucos, deveria ser um direito de todos.  Ao entrar para universidade me deparei com um mundo novo, as dificuldades foram inevitáveis, isso porque durante o ensino médio não somos preparados para o ensino superior. No segundo semestre entrei para o PIBID - Programa Institucional de Bolsa de Iniciação à Docência, o que de fato está tendo um papel fundamental na minha formação, através das discussões, reflexões sobre diversos autores como Rui Canário, Dayrell. Participar do PIBID não só me suporte para enfrentar uma sala de aula, como enriquece minha formação não somente a docente,  mais a pessoal também. Sei que o caminho para uma boa formação docente não é fácil, porém estou no caminho certo.

domingo, 15 de março de 2015

PISANDO OS PÉS NO CHÃO DA ESCOLA

Momentos de discussão

Participar do PIBID contribui diretamente na minha formação docente,proporcionando-me uma formação capaz de atender as demandas do curso, isso porque ele permite que nós bolsistas vivenciamos a realidade da escola, interagindo com os sujeitos, além de vivenciar práticas pedagógica, tal contato com a escola, está me auxiliando na construção da minha indenidade profissional. 

Pisar os pés no chão da escola foi uma sensação de alegria e medo ao mesmo tempo, isso porque ainda não tinha tido um contato direto com os alunos, ao chegar na sala de aula me deparei com o novo. De inicio não foi uma tarefa fácil, mas o que me deu segurança foi que, tive planejamento, as rodas de estudo, discussão teórica, uma ação reflexiva. 

Pisando os pés na sala de aula
O planejamento foi de vital relevância nesse processo, o que segundo Vasconcellos (2000) "planejar
é antecipar mentalmente uma ação ou um conjunto de ações a ser realizadas e agir de acordo com o previsto. Planejar não é, pois, apenas algo que se faz antes de agir, mas é também agir em função daquilo que se pensa.” (p.79). Sendo assim, planejar pode ser  feito tanto individualmente como de forma coletiva,  e no nosso caso foi feito de forma coletiva, a qual, o conhecimento se dá de maneira coletiva também, eu aprendo com o outro, e o outro aprende comigo. Essa metodologia de planejamento participativo adotada no pibid, reflete ainda mais na formação reflexiva que estamos tendo.

O ato de planejar requer empenho e dedicação do professor, pensando nisso todas as vezes antes de ir pra sala de aula sentamos e planejamos, juntamente com as professoras coordenadoras, contribuindo ainda mais para o conhecimento. Isso implica, que o conhecimento não se dá forma linear, todos nós construímos o nosso conhecimento e saberes docentes.








sábado, 14 de março de 2015

HORA DE PLANEJAR

Em sua definição sobre planejamento Oliveira (2007) diz que "planejar é pensar sobre aquilo que existe, sobre o que se quer alcançar, com que meios se pretende agir."Isso implica que, a ação de planejar faz parte do cotidiano humano, as pessoas planeja suas ações desde as mais simples até as ações mais complexas. Nessa lógica Libâneo (2004) aponta que o planejamento é uma prática de elaboração conjunta de planos e sua discussão pública, é um processo contínuo de conhecimento e análise da realidade escolar em suas condições concretas, de busca de alternativas para solução de problemas e de tomadas de decisões. Ainda segundo o autor o planejamento deve ser flexível, ele deve consentir mudanças nos objetivos e nas estratégias durante o momento que for concretizado, sendo uma atividade que requer reflexão.

Nesse sentido urge a necessidade de nós professores empenharmos cada vez mais para planejarmos nossas aulas, tendo em vista que o planejamento não é uma técnica, algo visto como uma obrigação burocrática, mas como fator decisivo para a construção de boas aulas.

Diante do que foi exposto, no dia 19/03/2015  realizamos na Escola Vilma Brito Sarmento  juntamente com a professora coordenadora Josiene, o planejamento para a I semana letiva de aula. De forma coletiva planejamos como seria a recepção dos alunos, além de construir e organizar o diagnóstico que será aplicado nos dias seguintes. Esse momento foi de extrema relevância na minha formação, isso porque, o ato de planejar requer empenho e dedicação do professor, assim antes de ir para a sala de aula precisamos sentar e planejar de forma coletiva, contribuindo ainda mais para o conhecimento. Em minha caminhada percebo que, caso não houver um planejamento reflexivo, o professor se perderá nas suas próprias aulas, isso porque o planejamento serve como um farol para o docente afim de garantir aos alunos uma aprendizagem significativa.


Momento do planejamento coletivo
Não basta apenas planejar, é necessário que esse planejamento seja reflexivo.



sexta-feira, 13 de março de 2015

APLICAÇÃO DO DIAGNÓSTICO

Nos dias 25/03/2015 e 26/03/2015 aplicamos na Escola Vilma Brito Sarmento a atividade de diagnóstico, tal atividade serve como base para as atividades seguintes, isso porque, através dela sabemos o que os alunos não sabem, e o que eles já dominam. Chegamos na sala do 2º ano e fomos recebidos por um caloroso "SEJAM BEM VINDOS". Nesse momento confesso que deu um frio na barriga, não estava acostumado com crianças tão pequenas, no ano passado tive a experiência apenas com os alunos do 5º ano.

Nos apresentamos, e falamos nossas expectativas para o ano que se inicia, em seguida cada aluno se apresentou. Elaboramos junto com eles um painel onde cada um dele confeccionou um boneco, e customizou da sua forma, logo em seguida foram de um a um na frente da sala expor seu boneco, e dizer seu nome, seus sonhos e sua profissão futura. 

A aplicação do diagnostico veio em seguida, entregamos as atividades proposta e explicamos cada questão. De inicio já foi possível perceber algumas dificuldades quanto a aquisição da escrita e da leitura de cada aluno. O diagnóstico serve como base para as intervenções futuras, é importante saber o que os alunos sabem, e o que não sabem para garantir a eles uma aprendizagem significativa. 

No meu caso, um professor ainda em formação a aplicação do diagnóstico contribuiu para uma prática reflexiva, visto que, analisei cada atividade, problematizando o processo de alfabetização de cada aluno. Pude então fazer a articulação entre a teoria a qual estudamos o livro Método Sócio Linguístico, e a prática, pisando os pés no chão da escola. Não poderia deixar de ressaltar a importância que o planejamento teve nesse momento, isso porque, sabia exatamente  o que fazer por ter planejado cada passo.